Vai começar o último dos grandes tours

A história da Vuelta a España se iniciou em 1935, inspirada no modelo de sucesso do Tour de France e Giro d’Italia. Apesar de ser bem mais recente, a Vuelta a España é um dos eventos ciclísticos mais aguardados do ano, alvo das grandes equipes e dos melhores atletas. Ela fecha a trilogia das grandes voltas de ciclismo do ano, e vai começar no próximo sábado, 14.

A primeira corrida da Espanha a nível nacional foi o Grand Prix da República, com quatro etapas entre Eibar e Madrid. Este evento foi disputado entre 1932 e 1936. Mas ainda não era uma grande competição como as disputadas na Itália e na França.

Neste período, Clemente López Doriga, ex-ciclista e comunicador, começou a usar de sua influência e dinheiro para trazer à realidade o projeto de uma prova que compreendesse grande parte do país. Inspirados no sucesso do Giro e do Tour, Clemente encontrou o apoio do proprietário do jornal “Informaciones”, Juan Pujol. Na origem da Vuelta, portanto, também esteve presente o desejo de um periódico diário tornar-se mais popular e aumentar a sua circulação. A imprensa francesa chegou a apelidar Clemente de “o Desgrange espanhol”, em alusão a Henri Desgrange, ex-ciclista envolvido com a criação do Tour de France.

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A primeira edição, que iniciou em 29 de abril de 1935, foi bastante criticada por sua alta quilometragem. Os 50 ciclistas participantes percorreram 3.425 km em apenas 14 etapas, uma média de quase 250 km por dia. Naquele tempo, o esforço para cumprir uma prova tão longa era ainda maior, visto que as bicicletas eram mais pesadas e não havia o apoio de equipe: cada ciclista levava as próprias ferramentas para consertar eventuais problemas mecânicos.

Mesmo assim, 29 ciclistas completaram a prova. O tempo ruim, com chuva e frio, pegou os espanhóis de surpresa e contribuiu para o bom desempenho dos belgas, que conquistaram o primeiro lugar com Gustaaf Deloor, e o terceiro lugar com Antonie Dignef. O espanhol Mariano Cañardo completou o pódio em segundo lugar.

A segunda edição da Vuelta, em 1936, quase não foi disputada por causa da situação política e social da Espanha. O belga Deloor novamente conquistou a vitória. A competição aconteceu em maio, e em julho estourou a Guerra Civil Espanhola, que se estendeu até 1939, quando começou a Segunda Guerra Mundial.

A terceira edição da Vuelta só foi disputada em 1941, com apenas quatro estrangeiros, e sob a direção de outro jornal, o “Goal”, em conjunto com a Secretaria Nacional de Educação e Lazer. Foi a primeira vitória de um espanhol na competição: Julian Berrendero completou em primeiro lugar nesta que foi a Vuelta mais extensa, com 4.442 km para serem cobertos em 22 etapas.

A quarta edição aconteceu em 1942, e novamente interrompida até 1945. As edições aconteceram anualmente de 1945 a 1950, quando sofreu nova interrupção, voltando a ser disputada apenas em 1955, quando o jornal El Correo Español/El Pueblo Vasco ressuscitou a competição. E ela voltou com força total! Ao invés da escassez de atletas das edições anteriores, a Vuelta de 1955 contou com 106 participantes, de 18 equipes nacionais, muitos deles estrelas da época. Pela primeira vez, a competição percorreu terras fora da Espanha, passando pela cidade francesa de Bayonne.

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O atleta mais jovem a vencer a Vuelta foi o espanhol Angelino Soler, em 1961, quando estreou na competição com apenas 21 anos. A vitória com menor diferença de tempo na Vuelta foi em 1984, quando o francês Éric Caritoux venceu Alberto Fernandez pela diferença de apenas seis segundos.

Outro fato incomum envolvendo esta edição é que a equipe de Caritoux, a Skil-Sem, havia prometido aos organizadores, em janeiro, que participaria da Vuelta; mas em abril, a uma semana do início da competição, eles haviam esquecido a promessa e não estavam preparados para a prova. Ameaçados por uma multa de 50 mil libras, a equipe mobilizou os atletas a participa- rem, trazendo Caritoux de suas férias para o topo do pódio.

A maior diferença entre primeiro e segundo colocados aconteceu em 1945, quando o espanhol Delio Rodriguez superou seu compatriota Julian Berrendero em mais de 30 minutos.

Em 1968 aconteceu um ataque terrorista e outras manifestações que fizeram a etapa 15 ser cancelada. Apesar do susto, não houve vítimas e o italiano Felice Gimondi sagrou-se campeão.

Em 1982, aconteceu o primeiro caso de doping com interferência direta nos resultados do evento. O espanhol Angel Arroyo perdeu o título por ter acusado positivo em testes de doping juntamente com outros atletas, e Marino Lejarreta herdou o primeiro lugar.

Na história da Vuelta, a cor da camisa do líder também é diferenciada do restante do pelotão. No início, foi optado pela cor laranja. Em 1955, quando o El Correo assumiu a direção da prova, a cor amarela, a mesma do Tour de France, foi adotada. Na década de 1990 a camisa passou a ser cor de ouro, e a partir de 2010, o líder passou a vestir uma camisa vermelha.

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Vuelta 2021

A competição ainda nem começou e já chamou a atenção pelo line-up. Mikel Landa chega como o principal ciclista da casa e a Ineos vem forte querendo um grande retorno. Na equipe, simplesmente nomes como Egan Bernal, Richard Carapaz e Tom Pidcock. Esses dois últimos acabaram de sair das Olimpíadas com o ouro.

Outro destaque será o percurso. As montanhas ganharam um lugar especial nessa edição. O início será em Burgos com uma prova de contrarrelógio individual de 8 km. E termina em 5 de setembro também com um contrarrelógio individual, de 33,7 km, em Santiago de Compostela.

É a primeira vez em quase vinte anos que a Vuelta vai começar e terminar com contrarrelógio, o que aumenta a expectativa em torno da performance dos ciclistas em busca da camisa vermelha de líder da classificação geral.

AS ETAPAS
Etapa 1 – 14 de agosto – Burgos – Burgos (ITT), 8km
Etapa 2 – 15 de agosto – Calaruega – Burgos, 169.5km
Etapa 3 – 16 de agosto – Santo Domingo de Silos – Picón Blanco, 203km
Etapa 4 – 17 de agosto – El Burgo de Osma – Molina de Aragón, 163.6km
Etapa 5 – 18 de agosto – Tarancon – Albacete, 184.4km
Etapa 6 – 19 de agosto – Requena – Alto de Cullera, 159km
Etapa 7 – 20 de agosto – Gandia – Puerto de Tibi, 152km
Etapa 8 – 21 de agosto – Santa Pola – La Manga del Mar Menor, 163.3km
Etapa 9 – 22 de agosto – Puerto Lumbreras – Velefique, 187km

Dia de descanso – 23 de agosto

Etapa 10 – 24 de agosto – Roquetas de Mar – Rincon de la Victoria, 190.2km
Etapa 11 – 25 de agosto – Antequera – Valdepeñas de Jaén, 131km
Etapa 12 – 26 de agosto – Jaén – Cordoba, 166.7km
Etapa 13 – 27 de agosto – Belmez – Villanueva de la Sierra, 197.2km
Etapa 14 – 28 de agosto – Don Benito – Pico de Villuercas, 159.7km
Etapa 15 – 29 de agosto – Navalmoral de la Mata – El Barraco, 193.4km

Dia de descanso – 30 de agosto

Etapa 16 – 31 de agosto – Laredo – Santa Cruz de Bezana, 170.8km
Etapa 17 – 1 de setembro – Unquera – Lagos de Covadonga, 181.6km
Etapa 18 – 2 de setembro – Salas – Alto de Gamoniteiru, 159.2km
Etapa 19 – 3 de setembro – Tapia – Monforte de Lemos, 187.8km
Etapa 20 – 4 de setembro – Sanxenxo – Mos, 173km
Etapa 21 – 5 de setembro – Padrón – Santiago de Compostela (ITT), 33.7km

© Unipublic / Charly López