Monark 10

Na redescoberta da mais clássica das modalidades do ciclismo, o Speed, que veio com o lançamento da Caloi 10 no início dos anos 70, como era de praxe entre as concorrentes, a Monark não poderia ficar alheia ao promissor mercado que se abria no país.

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Monark 10
© Valter F. Bustos

A Monark 10 veio com a linha Crescent, Positron e Monark 10, sendo a “10” um modelo mais simples, porém, superior à Sprint da Caloi por causa de seus componentes de montagem como os câmbios, freios e alavancas de mudanças. Neste caso, o grupo Shimano Tourney fazia toda a diferença ante os geniosos “Dimosil” da concorrente.

Através de seu desenho clássico, quadro e garfo da Monark 10 compunham uma estrutura harmoniosa e resistente, para uma bicicleta que exigiria um esforço maior e prolongado quando pedalada, e como todos sabem, esse esforço recai sobre o conjunto do movimento central.

Durante décadas de uma concorrência, digamos, amigável entre Caloi e Monark, havia um diferencial marcante entre as duas, quando se fala de modelos lançados. Até os primórdios dos anos 90, a Monark empregava o sistema monobloco de 45 mm no movimento central, enquanto a Caloi empregava o sistema através de chavetas e 34,7 mm de diâmetro. Portanto, o ponto fraco da Monark 10 sempre foi essa escolha para a qual nunca tivemos uma explicação razoável. Tanto isso é verdade que nas Crescent e Positron foi adotado caixa de centro com rosca interna e chavetas na fixação do conjunto. Mesmo assim, o desempenho da Monark 10 foi bastante satisfatório, sendo raros os problemas mecânicos graves.

Bicicletas desse período, independente do fabricante, tinham peças produzidas com materiais (insumos) com mais qualidade, se comparado ao que encontramos no mercado hoje em dia. Com a dificuldade de encontrarmos chavetas no mercado atual, as Monarks levam uma certa vantagem sobre as demais. Aliás, a “chinalização” do mercado de peças para bicicletas vem ocasionando problemas com a reposição de alguns itens como: chavetas, esferas, colar de esferas, sapatas para os freios de varão ou hastes; itens, tempos atrás, encontrados com facilidade. Hoje, o mercado te obriga a comprar um jogo completo de caixa de direção, caso queira um colar de esferas. É para acabar com o antigobicicletismo e desestimular o cidadão que pretende “botar em pé” seu modelo antigo.

Seguindo, essa Monark 10 que faz parte de nosso acervo chegou até nós em 1999 através de um amigo, que a viu encostada num rancho em Campo Alegre (SC), durante a visita a um cliente. Conversa vai e conversa vem, e, sabendo da nossa paixão pelas magrelas, abraçou a 10 e trouxe para Joinville, juntamente com duas peças de queijo produzidos na serra: demais! Depois, foi fazer a desmontagem, limpeza, regulagem e a remontagem. Nenhum desgaste sério de seus componentes foi notado, e as sapatas de freio ainda são originais. A outra surpresa, com base numa lembrança da discografia dos Titãs, e depois confirmada, foi a capa do cd “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana”, lançado em 2001. Com uma capa “noir” bem transada, a ambientação do cenário tem, à esquerda, uma Monark 10 encostada num tambor. Com certeza, foi “A Melhor Bicicleta de Todos os Tempos…”.