A ganhadora do Prêmio Nobel de Química era apaixonada pelo ciclismo. E pedalava muito sempre que podia.

A física e química Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar o Nobel, além de ser também a primeira pessoa e a única mulher a ganhar o prêmio duas vezes. Nascida na Polônia em 1867, é considerada uma das mentes mais brilhantes da história: descobriu dois elementos químicos, o polônio e o rádio, além de fazer descobertas que tornaram possíveis a radioterapia e o raio-X.

E Marie amava pedalar. Quando ela se casou com Pierre Curie, em 1895, seus primos lhe deram dinheiro como presente de casamento. O casal usou esse dinheiro para comprar duas bicicletas. Eles, inclusive, seguiram para a lua-de-mel pelo interior da França de bicicleta. Na foto acima, é curioso ver as roupas de Marie. Em vez de saia longa, a noiva usou meia e calça até o joelho.

Pierre e Marie Curie no dia do casamento deles, em Paris, em 1895, fotografados por Albert Harlingue (Musée Curie; coll. ACJC / Albert Harlingue, Cote MCP69/Divulgação).

De acordo com Janice Borzendowski em seu livro ‘Marie Curie: Mother of Modern Physics’, “os dois amantes da natureza começaram sua rota de bicicleta pelo norte da França. Eles andaram pelas estradas sem rumo, parando onde a beleza da paisagem ou o cansaço os levaram. Comeram pão, queijo e frutas e, ao cair da noite, descansaram nas pousadas que encontraram pelo caminho. Eles não tinham guias, apenas uma bússola, e seus poucos pertences estavam em mochilas de couro”. No verão seguinte, eles repetiram o feito, e uma vez por semana viajavam cerca de 12 quilômetros para visitar os pais de Pierre.

Marie e Irène Curie (de roupas totalmente pretas ao centro) no Rio de Janeiro, em 1926, posando com outros estudiosos em frente ao Pão de Açúcar (Musée Curie; coll. ACJC / Cote MCP1266/Divulgação).

Viajar de bicicleta era o passatempo do casal Curie. Percorreram toda a costa da Bretanha e as montanhas de Auvergne, na França. A filha do casal, Eve, quando escreveu uma biografia da mãe, explicou que os dois pedalaram ao longo do Canal da Mancha em 1900, e continuaram fazendo cicloviagens por vários anos. “Suas férias não implicavam em descanso, mas em se locomover de bicicleta de um lugar para outro”, acrescenta sua filha.

Um livro de despesas de Marie Curie mostra que ela gastava quantias consideráveis em vestuário para pedalar, além de pagar o imposto de cada bicicleta que possuía todos os anos. Os dois também percorriam a cidade onde moravam.

Marie pedalou até mesmo na sua primeira gravidez. Ela e Pierre não desistiram das férias de bicicleta nem mesmo em agosto de 1897, quando ela estava grávida de sete meses; partiram despreocupados em direção ao mar da Bretanha; foram obrigados a regressar às pressas a Paris, onde, em 12 de setembro, nasceu a sua filha mais velha, Irène.

Quando a ganhadora do Prêmio Nobel ficou viúva, ela continuou a amar a bicicleta, uma paixão que passou para suas filhas Irène e Eve. “Numa época em que as normas da classe alta e média enfatizavam que as mulheres eram o sexo mais fraco”, diz Barbara Goldsmith, na biografia ‘Marie Curie, obsessive genius’, “Marie criou suas próprias regras. Em todas as épocas do ano, ela fazia com que as filhas se exercitassem diariamente, andassem de bicicleta e tivessem aulas de natação”, destaca a autora.