Juiz percorre 44 km de bicicleta, três vezes por semana, para ir ao trabalho em São Luís

O juiz Francisco Ferreira de Lima, de 50 anos, mora no bairro Araçagy em São José de Ribamar e segue pedalando até o trabalho, no bairro Jaracaty, em São Luís. Ao G1, ele garante que a troca do carro pela bicicleta trouxe mais qualidade de vida e economia para o bolso.

Foto: Reprodução/g1 MA

O stress do trânsito conturbado da capital maranhense deixou de ser um problema diário desde quando o juiz Francisco Ferreira de Lima, de 50 anos, abandonou o carro e passou a usar a bicicleta para ir ao trabalho, pelo menos três vezes por semana, em São Luís. Ao todo, o trajeto percorrido por ele, é de 44 km.

O juiz sai de casa no bairro Araçagy, localizado em São José de Ribamar cidade da Região Metropolitana da capital e segue até a sede do Fórum Desembargador Sarney Costa, no bairro Jaracaty em São Luís, onde trabalha. O trajeto dura, em média, cerca de 55 minutos a 1 hora e 10 minutos.

“Eu sempre andei de bicicleta, sempre gostei bastante. E aqui em São Luís, foi uma decisão que tomei para melhorar o humor, a capacidade física. Além de que o trânsito daqui é estressante, desorganizado e é uma forma que eu achei de contribuir para o trânsito melhorar um pouco”, disse.

O juiz Francisco Ferreira de Lima, de 50 anos, vai de bicicleta para o trabalho ao menos três vezes por semana. — Foto: Reprodução/g1 MA

A iniciativa não contribuiu somente para o trânsito de São Luís, mas para o bolso do juiz. Segundo Francisco Ferreira, ele tem uma economia de, no mínimo, R$ 100 reais por mês em gasolina sendo adepto da bicicleta como meio de transporte.

Adesão

O uso da bicicleta como meio de transporte para o trabalho também já é adotado por outros servidores do Fórum. O juiz explica que ao ficar sabendo que outros colegas participavam do movimento, se uniu a eles e agora, todos os dias, um grande grupo segue junto para o trabalho.

“Eu percebo a cada dia que está havendo uma adesão das pessoas ao uso da bicicleta. Cada dia tem um servidor novo que guardou o carro em casa e veio de bicicleta ou uma nova pessoa no grupo”, disse.

Francisco Ferreira diz que desde quando optou pelo uso da bicicleta, viu a qualidade de vida melhorar. Para ele, a mudança na rotina também mudou a forma como as pessoas enxergavam ele, devido a sua profissão.

Ele mora em um município da Região Metropolitana e trabalha em São Luís — Foto: Neto Cordeiro/Grupo Mirante

“Para mim ir de bicicleta todos os dias pro trabalho representa a quebra de paradigmas e de padrão. Uma vez que um juiz aqui no Brasil não pode andar de bicicleta por conta da exposição, do perigo em razão da sua atividade. Ou seja, nós também podemos andar de bicicleta e sermos juízes”, disse.

O que diz a família

Diferente do ambiente de trabalho, a adesão ao uso de bicicleta não foi muito bem aceita em casa. O juiz que é casado e tem dois filhos, revela que a família não gosta da ideia e tem medo da exposição.

“Ninguém em casa me apoia, todo mundo tem medo. Todo mundo critica, esculhamba (risos), e aí a gente vou indo de bicicleta mesmo na base da rebeldia”, revela.