Curitiba tem potencial para o Cicloturismo

Curitiba é uma cidade dotada de uma boa infraestrutura cicloviária se comparada a outras grandes cidades do país. A questão é que essa estrutura pode ser aprimorada, sem sombra de dúvidas. Um exemplo disso é que não há circuitos autoguiados de cicloturismo em Curitiba.

Mobilidade urbana em Curitiba. Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

E isso é o mínimo quando se pensa em melhorias nas cicloestruturas. A capital paranaense é uma cidade de belezas cênicas, arquitetura privilegiada, enfim, é uma cidade turística. Há, portanto, um enorme potencial para serem desenvolvidos esses circuitos autoguiados de cicloturismo em Curitiba. Isso poderá transformar a cidade em um destino para cicloturistas e suas famílias, afinal o que não faltam são atrativos.

MON – Museu Oscar Niemeyer em Curitiba Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

Um circuito autoguiado requer, no mínimo, uma sinalização intuitiva com uma plataforma que informe ao cicloturista de onde vem e para onde vai, que o faça percorrer esse caminho de forma independente e segura. Entretanto, não se deve confundir ciclorrotas com um circuito de cicloturismo autoguiado!

Além do cicloturista, a família dele (a)

Pensemos nisso como um negócio, com um produto de qualidade para atender a necessidade do seu respectivo público. Certamente o cicloturista se interessa por um city tour de bike em uma cidade que ofereça segurança e mobilidade autoguiada, ainda mais se houver uma interligação entre essas rotas. A premissa aqui é que a população também usufrua de uma ciclomobilidade com qualidade.

O cicloturista é carente de boas cicloestruturas e também é ativo nas mídias sociais, portanto se a experiência dele for boa, é certo que vai compartilhar. Não deve ser exagero a ideia de que o turista deve ser muito bem tratado, essa é uma das garantias que ele voltará, e trará junto sua família posteriormente.

Praça Largo da Ordem em Curitiba. Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

O primeiro mundo fatura e por que Curitiba ainda não?

Enquanto no Brasil os circuitos autoguiados ainda precisam de um empurrão, países da Europa e da América do Norte nadam de braçada nos bons exemplos. Portugal conta com a Rota da Costa Atlântica, que faz parte da EuroVelo, o qual contempla 16 rotas cicláveis de longa distância cruzando todo o continente Europeu.

Cicloturismo na Europa

As rotas da EuroVelo são destinadas à prática do cicloturismo ao longo do continente, mas também para a mobilidade urbana. E porque isso dá certo? Continuemos com o exemplo português, cujo trecho margeia toda a costa do Oceano Atlântico e é extremamente fácil de identificar, de distinguir e de seguir, já que a identidade visual da EuroVelo está claramente visível ao longo da rota.

Cicloturimo na Eurovelo. Foto Belvelo/Lisa von Bischopinck

A América do Norte também está investindo

Do outro lado do Atlântico, mais especificamente na América do Norte, foi inaugurada um circuito de cicloturismo que vai de Manhattan até o Canadá. A Empire State Trail é a mais longa trilha multiuso dos Estados Unidos, com 1.200 quilômetros. O percurso conecta 20 trilhas regionais em uma rota única sinalizada que se estende por todo o estado de New York, sendo 75% do percurso off-road, longe de rodovias movimentadas.

Com um investimento de 200 milhões de dólares, a expectativa é de que ela atraia mais de 8 milhões de visitantes por ano. Surreal? Nada! A Europa fatura 205 bilhões de euros por ano só com bicicletas, de acordo com um estudo acadêmico encomendado pela European Cyclists’ Federation (ECF). Além disso, são gerados 650 mil empregos, ou seja, o setor emprega 3 vezes mais que o de automóveis.

Rota de Cicloturismo no Parque Vila Velha. Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

Cicloturismo é negócio!

Bicicleta é negócio, é sustentabilidade, é saúde, é mobilidade e sobretudo geração de renda. Mais do que isso, não é necessário maiores investimentos para que o retorno seja considerável, desde que desenvolvido com “profissionalismo” e como política pública de verdade. Os gestores públicos não devem subestimar a modalidade, pelo fato de que o cicloturismo é um negócio rentável. 

Não requer grandes investimentos

Em outras palavras, é preciso prestar atenção na implementação desses circuitos. Se em vez de ciclovias, o investimento fosse feito em ciclofaixas, com pintura adequada, com um padrão de linguagem (identidade visual) e, principalmente, com uma sinalização intuitiva, já seria um avanço para termos circuitos autoguiados de cicloturismo em Curitiba.

Ciclofaixa em Curitiba: Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

São ações simples de serem executadas, mas que trazem benefícios a todos. E Curitiba tem esse potencial, pois já conta com uma boa rede de ciclorrotas para que esses circuitos sejam desenvolvidos. É preciso somente que haja compreensão e iniciativa do poder público. 

E como já dito anteriormente, basta planejamento e vontade de fazer política pública de verdade. Que se busquem parceiros privados, por exemplo, não faltam empresas bem-intencionadas querendo investir em melhorias na infraestrutura da cidade. Campanhas educativas também são muito bem-vindas, o ciclista também precisa saber que tem regras de trânsito a seguir. 

E por que fazer isso?

Ao passo que a pandemia do coronavírus avançou pelo país, a venda de bicicletas aumentou significativamente. Ou seja, nunca teve tanta gente comprando bike e pedalando no Brasil. As vendas aumentaram em media 53% durante a pandemia, sendo que em algumas cidades há filas de espera para compra. Esse aumento súbito representa, obviamente, muito mais gente pedalando pelas ruas país afora.

Ciclovia em Curitiba. Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

Dessa forma, se faz iminente o uso de campanhas educativas principalmente para os novos ciclistas. Analogamente, como diz Ivan Mendes, CEO do Lobi Ciclotur, “quando o motorista adquire o direito de guiar um veículo motorizado, ele precisa de habilitação, ser aprovado em todos os testes práticos e teóricos, enquanto um ‘recém-ciclista’ vai à loja, compra a bicicleta e saí pedalando, sem saber exatamente de legislação de trânsito, na maioria das vezes”.

Em suma, estimular a educação é uma forma de mitigar o caos no trânsito ou o conflito entre pedestre, ciclista e motorista, evitando-se que aconteçam acidentes, que às vezes resultam da imperícia também de quem está em cima da bicicleta. Há de se pensar que todos temos responsabilidades.

Caminho Zoológico Municipal de Curitiba, Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

Afinal, é para isso que existe a política pública

A política pública é para isso, para dar segurança, para mostrar que mesmo em uma pandemia, temos a possibilidade de fazermos atividades ao ar livre (sempre mantendo todos os cuidados necessários). Então, por que não termos circuitos autoguiados de cicloturismo em Curitiba? Não se trata de política de governo, mas sim de política pública.

Por mais rotas cicláveis, não só em Curitiba, mas em todo o Brasil. Afinal, não requer grandes investimentos. Portanto, não há desculpas!


Edição, direção e produção: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur – Texto: Tiago Piontekievicz