Nos últimos anos, no mercado, se tem feito muito uso dos câmbios internos. De dois até dezoito velocidades, é possível achar câmbios para todos os tipos de uso e terrenos. E o mercado tem lançado periodicamente novos produtos.

Câmbios internos são mais antigos do que os câmbios tradicionais que conhecemos. Até os anos 90, os câmbios internos com poucas velocidades e freios de contra pedal eram usados apenas em bicicletas urbanas e em passeios curtos por terrenos planos.

Um lançamento em 1998 mexeu com o mercado dos câmbios, principalmente na área do mountain biking e trekking: o renascimento dos câmbios internos com a inovação chamada Speedhub 500 de 14 velocidades da empresa alemã Rohloff. O lançamento não tirou o domínio dos câmbios tradicionais, mas ofereceu uma nova opção na mudança de marchas.

Em 2007, a empresa Enviolo (antiga NuVinci) lançava no mercado o seu primeiro câmbio interno com engrenagem planetária sem aqueles saltos entre marchas.

Outro destaque foram os câmbios da empresa Pinion lançados em 2010 na Eurobike. Eles oferecem câmbios com 9, 12 e 18 velocidades.

Muitos usuários dão importância à eficiência mecânica na transmissão total entre a marcha mais leve e a mais pesada. Por exemplo, para os aficcionados em mountain biking, o importante é pedalar bem montanha acima e ter bastante pressão nos pedais morro abaixo, assim necessitam de pelo menos 500% de transmissão.

Quanto menor a diferença na mudança entre duas marchas (aquele “salto” quando mudamos de marcha), menor é a perda de energia durante a pedalada. As fabricantes Pinion e Rohloff saem na frente com respectivamente 11,5% e 13,6% para as transmissões entre cada velocidade.

© Rohloff Divulgação

As vantagens do câmbio interno

O que faz o câmbio interno ser tão interessante atualmente?

  • O câmbio interno, por ter um “corpo” estanque e protegido contra água e pó, não tem grande desgaste de peças internas. O intervalo das revisões e a troca de corrente são feitos a cada 5.000 quilômetros ou uma vez ao ano. Já a corrente sofre bem mais desgaste com a chuva, lama e pó, sendo trocada a cada 2.000 quilômetros, aproximadamente.
  • A mudança de marcha com a bicicleta parada não é problema para o câmbio interno. Além disso, por não precisar ter um câmbio do lado esquerdo para trocar marchas na coroa, o ciclista executa todas as mudanças com apenas uma mão.

  • Robusto. Não existem peças expostas com risco de serem danificadas, por exemplo, em uma queda.
  • A roda traseira é mais estável. Só existe uma catraca para a corrente, ao contrário dos câmbios traseiros tradicionais em que a corrente trabalha em até 10 catracas e que deixam os raios de um lado quase verticais ao eixo da roda.

Comparando um câmbio tradicional com 27 marchas e um câmbio interno

Tabela comparativa entre câmbio tradicional e interno

Ao lado segue um gráfico que compara um câmbio tradicional de 27 velocidades e um câmbio interno Rohloff de 14 velocidades.

Para esse gráfico foi utilizado um conjunto de coroas 24/32/44 e um conjunto de pinhões (cassete) 12-34.

Repare que no caso do câmbio tradicional de 27 velocidades, as marchas em vermelho são repetidas e que, na verdade, existem apenas 14 velocidades “verdadeiras”.

Informações adicionais para entender a tabela acima

Câmbio tradicional de MTB

  • Transmissão = 519 %
  • Distância percorrida a cada volta do pedal (aro 26”): de 1,45 a 7,55 metros

Câmbio interno Rohloff

  • Transmissão = 526 %
  • Distância percorrida a cada volta do pedal (aro 26”): de 1,44 a 7,56 metros

Como calcular a transmissão entre cada marcha

Vamos começar com um exemplo para descobrir a transmissão entre um pinhão com 34 dentes e o seu vizinho com 30 dentes. Divida 34 por 30 e o resultado que se chega é 1,133 que também significa 13,3%.

O mercado dos câmbios internos

Os câmbios internos de série oferecem bons preços para ciclistas urbanos, cicloturistas em curtas viagens e e-bikes. A tendência é que esse mercado dos câmbios internos cresça e a concorrência entre as empresas gere bons produtos e preços mais acessíveis para nós, ciclistas. Veja o que já existe no mercado.

© Thule Divulgação

Um pouco de matemática

Como calcular a transmissão total de uma bicicleta

O primeiro passo é calcular a menor e a maior distância percorrida pela bicicleta a cada volta de pedal.

Para calcular a menor e a maior distância, é preciso achar o comprimento da circunferência (Y), que é o resultado da multiplicação do diâmetro da roda (em metros) por pi (3,1416).

Menor distância: Dividir o número de dentes da coroa menor pelo número de dentes do pinhão maior. O resultado dessa divisão multiplicase por Y e chega-se ao resultado da menor distância.

Maior distância: Dividir o número de dentes da coroa maior pelo número de dentes do pinhão menor. O resultado dessa divisão multiplica-se por Y e chega-se ao resultado da maior distância.

O segundo e último passo é o cálculo de transmissão em porcentagem com a seguinte fórmula: (distância maior / distância menor) X 100.

Como calcular a transmissão entre cada marcha

Vamos começar com um exemplo para descobrir a transmissão entre um pinhão com 34 dentes e o seu vizinho com 30 dentes. Divida 34 por 30 e o resultado que se chega é 1,133 que também significa 13,3%.

© Rohloff Divulgação

Rohloff

www.rohloff.de
Modelo
Speedhub 514 CC
Velocidades 14
Peso
1.545 gramas
Transmissão total 526%
Manutenção Troca de óleo a cada 5.000 quilômetros ou anualmente
Garantia 2 anos
Trocador Grip Shifter
Opções de freio V-brake ou a disco

A Rohloff é a pioneira na área, tendo lançado em 1998 o câmbio Speedhub 500 com 14 velocidades, o que fez renascer o mercado dos câmbios internos. Apesar de ser um câmbio caro, é a primeira escolha para quem procura ótimo funciomanento e qualidade. Muito usado no cicloturismo e também em duras pedaladas off road. Atualmente é a melhor transmissão do mercado.

Shimano

© Shimano Divulgação

shimano.com.br
Modelo Alfine 11
Velocidades 11
Peso 1.655 gramas
Transmissão total 409%
Manutenção Troca de óleo
a cada 5.000 quilômetros ou anualmente
Garantia 2 anos
Trocador Rapid fire plus
Opções de freio V-brake ou a disco

O novo lançamento da Shimano tem ótimas qualidades na troca de marchas. Quase não se ouve o som da troca e pouco se sente o “salto” na mudança de marcha. Indicado para bicicletas urbanas ou trechos longos e planos. Também pode ser usado para pequenas viagens de bicicleta.

© Shimano Divulgação

Modelo Alfine 8 e Nexus 8 (são praticamente idênticos)
Velocidades 8
Peso 1.680 gramas
Transmissão total 307%
Manutenção Não há troca de óleo, somente troca de corrente e catraca
Garantia 2 anos
Trocador Rapid fire ou grip shifter
Opções de freio V-brake ou a disco
Indicado para bicicletas de uso urbano e no dia a dia em terrenos pouco ondulados ou mesmo para as bicicletas elétricas.

© Nexus Divulgação

Enviolo

© Envold Divulgação

www.enviolo.com
Modelo Enviolo NuVinci
Velocidades –
Peso 2.450 gramas
Transmissão total 360%
Manutenção Livre de revisão, apenas
lubrificação de cabo e catraca
Garantia 2 anos
Trocador Grip shifter
Opções de freio V-brake, contra pedal ou a disco

Livre de manutenção e o único câmbio que pode ser trocado com toda carga de peso e força. Pesado para as montanhas, é concorrente do Alfine 8 (Shimano) e do i-motion 9 (Sram). Perde pontos pelo peso, mas ganha pontos com a pouca ou nenhuma manutenção e a troca imperceptível das marchas.

© Pinion Divulgação

Pinion

www.pinion.eu
Modelo P1.18
Velocidades 18
Peso 2.700 gramas
Transmissão total 636%
Manutenção Troca de óleo a cada
10.000 quilômetros ou anualmente.
Garantia 2 anos
Trocador Grip shifter
Opções de freio V-brake, contra pedal ou a disco

Usado principalmente em mountain bikes e bicicletas trekking, os quadros são construídos especialmente para este tipo de câmbio.

Com a melhor transmissão entre todos os concorrentes, tem também o maior vão livre entre o movimento central e o solo, sendo ideal para atividades off road com a bicicleta.