Por Bernardo Sampaio, fisioterapeuta e diretor clínico do ITC Vertebral e do Instituto Trata, unidades de Guarulhos.

A hérnia de disco pode afetar a coluna vertebral e é responsável por dores na região das costas. A doença pode até ser limitante, mas será que a prática de uma atividade simples, como andar de bicicleta, pode ser perigoso para quem possui hérnia de disco?

A coluna vertebral é formada por diversas estruturas ósseas denominadas vértebras, uma empilhada sobre a outra. Para que esses ossos não fiquem constantemente sofrendo atrito, há uma camada de amortecimento entre as vértebras, chamada disco intervertebral. Esse disco tem um posicionamento correto entre as vértebras, justamente por conseguir absorver o impacto sofrido pela coluna vertebral diariamente. Porém, devido a diversas situações, a parte mais central do disco intervertebral pode se deslocar e quando há o rompimento da parte mais externa do disco afetado, chamamos esse quadro de hérnia de disco. Entre as principais causas, está o envelhecimento, falta de fortalecimento muscular, posturas inadequadas, impacto constante na coluna, doenças generativas, genética, obesidade e sedentarismo.

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De maneira geral, a atividade física é recomendada para qualquer pessoa, contanto que haja bom senso e o exercício não traga prejuízo à saúde do paciente, nem piore seu quadro de dor. Dessa maneira, se você deseja sair andando de bicicleta e se questiona se isso é possível por ter sido diagnosticado com uma hérnia de disco, não se preocupe. Muitas hérnias de disco não geram sintomas e não vão piorar progressivamente com a atividade. É importante lembrar que, em quadros agudos que geram os sintomas como travamento das costas ou do pescoço com sintomas irradiados para braços ou pernas (dependendo da localização da hérnia), é sugerido evitar andar de bicicleta e iniciar um controle de dor.

Praticar uma atividade física deve ser um momento prazeroso e não deve jamais ser feito caso você esteja sentindo qualquer tipo de desconforto. É preferível fazer um tratamento adequado para dor e, então, retornar à atividade somente quando não estiver sentindo mais dor.

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Muitos acreditam que quem tem hérnia de disco deve ficar deitado o tempo todo, mas muitos estudos e a experiência clínica demonstram que quanto mais tempo você ficar deitado, acreditando que isso melhora a hérnia de disco, pior será o seu prognóstico. Assim, o repouso relativo só é recomendando em casos de dor e por apenas poucos dias, justamente para que esse quadro melhore e, assim que melhorar, você possa retornar às suas atividades regulares.

No caso da bicicleta ergométrica, o uso não é contra-indicado, contanto que o praticante mantenha a postura ou posicionamento que não gere dor. Já o uso de bicicleta de trilhas durante momentos de crise pode resultar em aumento de sintomas na coluna. Portanto, esse tipo de bike pode não ser a melhor escolha nesse momento.  

Ao pedalar, é importante que o ciclista esteja com a bike corretamente ajustada, para que mantenha a postura ideal. Quando a bicicleta não está ajustada corretamente, haverá maior tensão muscular em algumas regiões do corpo, o que pode não ser bom em casos de hérnia de disco.

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Outra dica para o ciclista é que ele opte por trechos mais curtos e realize uma progressão gradual de quilometragem para a adaptação ideal do corpo após uma crise de hérnia de disco, pois um pedal longo pode promover a contração muscular e tensão na musculatura das costas por longo tempo, podendo resultar em episódios de dor.

Não se esqueça de manter o seu corpo em dia! Nosso corpo precisa de mobilidade além de força e resistência muscular. Lembre-se sempre de fazer um trabalho de fortalecimento da região das costas, abdômen e quadril. O fortalecimento muscular é essencial para quem pretende praticar ciclismo e já possui algum problema na coluna. Quem sofre com hérnia de disco precisa de um tratamento adequado, sendo assim, converse com seu especialista em coluna para que ele libere você para a prática do ciclismo. E lembre-se sempre de incluir exercícios de fortalecimento e não pedalar em casos de dor.

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Bernardo Sampaio

Fisioterapeuta pela PUC-Campinas (Crefito: 125.811-F), diretor clínico do ITC Vertebral e do Instituto Trata, unidades de Guarulhos, Bernardo Sampaio é também professor do curso de pós graduação em fisioterapia traumato-ortopédica do Instituto Imparare e do curso de fisioterapia do Centro Universitário ENIAC (Guarulhos) e também leciona como convidado nos cursos de pós-graduação na Santa Casa de São Paulo. Possui experiência em fisioterapia ortopédica, traumatologia e esporte; e especialização em fisioterapia músculo esquelética, aprimoramento em membro superior e oncologia ortopédica pela Santa Casa de São Paulo. Mestrando em ciências da saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Saiba mais em: www.institutotrata.com.br e www.itcvertebral.com.br