Ficha Técnica

Bicicleta Svalan, modelo masculino, ano 1951, equipada com freio contra-pedal na roda traseira, punhos de madeira e descanso central com duas pernas.
Origem: Suécia.
Condição: Original/Conservada
Acervo: MuBi.

© Valter F. Bustos

Às vezes sou colocado numa “sinuca de bico”, sem estar na mesa de jogo. Eu explico: é comum da parte de algum visitante mais empolgado durante sua visita ao museu, parar diante de um modelo e dizer com muita ênfase “esta é a melhor bicicleta que vocês têm em exposição”. Numa situação como essa, como dizem, fico “sinucado”. A razão é simples de explicar, são visitantes, pessoas empolgadas, muitas vezes emocionadas diante de uma bicicleta antiga relacionada com alguma coisa de seu passado. Na maioria das vezes, com a infância. No nosso entender sempre terão razão, afinal, trata-se de uma peça especial e com algum vínculo com essa pessoa.

Invariavelmente, surge uma segunda pergunta que derruba a bola na caçapa. “Em sua opinião, qual é a melhor bicicleta que existe?”. Como é possível imaginar, a coisa complica de vez, e com calma tento não tomar nenhum partido. Apenas explico – o que é plenamente verdadeiro – dizendo que não existe bicicleta ruim, mas bicicletas melhores.

© Valter F. Bustos

A bicicleta escolhida para esta edição, peça que gostamos muito, por alguma ou várias razões chama a atenção de nossos visitantes. Ela já foi muito fotografada e mereceu por parte de um artista de Joinville em 2003, Sandro Luiz, uma belíssima pintura feita a carvão exposta no MuBi. Luiz Carlos Hille, fotógrafo e amigo do museu, capturou essa bicicleta, cuja imagem fez parte de sua exposição chamada “Um Olhar sobre a Bicicleta” em 2006.

Ela também já enfeitou algumas vitrines de lojas especializadas em roupas femininas, além de um book de casamento. Antes desse glamour, ela pertenceu a um expositor da feirinha na Praça Benedito Calixto, em São Paulo, comerciante de quase tudo: rádios, louças, brinquedos, móveis, utensílios. Num belo sábado nos idos de 1995, passei por lá e ele me disse: “tenho uma coisa para você”. Parei na banca para saber o que era, pois sempre aparecia muita miudeza como faróis, campainhas, pedais, aros, além de outras peças.

© Valter F. Bustos

Ele explicou que se tratava de uma bicicleta, mas que estava em sua loja no Jabaquara. Combinamos uma data, acho que na quarta-feira seguinte, e fui até sua loja onde fechamos o negócio. Na época eu tinha um Gurgel X-12 TR, com dois racks no teto. A bike veio em cima e algumas peças no banco. Nessa época eu ainda morava em Sampa, e todo final de semana percorria as feiras de antiguidades da Calixto, Praça Dom Orione, Masp, além de algumas feirinhas de rolo. Era uma época em que se conseguia garimpar coisas boas. Neste final de ano recebi a visita de meu amigo Marco Bala, fundador do site Merda Velha, que me disse das mudanças mirabolantes do mercado nesse segmento. Evolução? Mudanças? Oportunismo? É um caso a se pensar, pois é um mercado regulado pela lei da oferta e procura.

© Valter F. Bustos

Quanto à Svalan, até onde caminhamos com nossa pesquisa, não identificamos um importador regular da marca. Profissionais como Vanzo, Rondina e Kasuo Kitagiri, com suas lojas na Zona Oeste da Capital, em conversas chegaram a mencionar a antiga loja de departamentos, Cássio Muniz, como vendedora da marca. No entanto, não consegui obter uma confirmação segura, apesar de serem considerados válidos para efeitos de pesquisas os depoimentos orais.

O que se depreende é que as Svalans eram bicicletas seguras, bonitas e bem acabadas. Os tubos superior e inferior do quadro possuem acabamento em alto-relevo juntamente com o garfo, onde aparece o “S” em baixo-relevo. Quadro, paralamas e aros são todos filetados. Ademais, os raios e estirantes de paralama são de aço inoxidável, acessórios de época que equipavam as bicicletas de melhor qualidade. Atualmente, estou atualizando nossos arquivos sobre marcas e, caso o leitor tenha alguma informação ou dado adicional sobre a marca, agradeceria a informação para o nosso e-mail: valter@revistabicicleta.com.br.

Até a próxima.