Não pedalamos simplesmente para girar uma pedivela.

Ao pedalar, sentimos liberdade, nos conectamos com a natureza e passamos tempo com bons amigos. Essas são coisas que não temos ao pedalar em casa, em um rolo de treinamento. Só podemos girar a pedivela. Mas agora, com as tecnologias alcançadas no último século, isso está mudando.

Alguém teve a ótima ideia de criar um jogo on-line de ciclismo, onde a bicicleta virtual não é controlada por um teclado ou mouse, mas por uma bicicleta real, em conjunto com alguns sensores conectados ao computador. Não é interessante? Poder pedalar com os amigos, sem sair de casa!

Jogos on-line já não são novidade há um tempo, portanto, a criação deste tipo de aplicação já tinha seu caminho preparado.  Atualmente, pessoas do mundo todo jogam juntas em tempo real, em mapas cada vez maiores e que suportam cada vez mais jogadores, compartilhando objetivos e rivalizando por posições. Jogos on-line se tornaram acessíveis, e em quase qualquer smartphone já se pode experimentar muitos deles.

E tendo a faca e o queijo na mão, os fundadores da Zwift Inc. criaram um jogo de ciclismo onde o usuário controla uma bicicleta virtual através das pedaladas em um rolo de treinamento.

O universo virtual de Zwift conta atualmente com oito mundos virtuais, incluindo mapas baseados em lugares reais e outros totalmente fictícios. Os jogadores podem pedalar livremente por seis desses mundos, ou organizar pedaladas em grupo, corridas e treinos com outros usuários. Os mundos sete e oito são dedicados a corridas.

Captura de tela do Zwift.

As corridas são uma parte importante do jogo, e podem incluir trechos com subidas, descidas, ou longos trechos planos. Para cada tipo de corrida, há uma bicicleta mais adequada, e você pode (e deve) alternar entre os modelos de bicicletas para conseguir os melhores resultados possíveis. Os usuários que competem são categorizados conforme sua velocidade. As classificações vão de A a E, sendo A a categoria dos usuários mais rápidos, e E, dos mais lentos.

E a plataforma não é só brincadeira: planos de treino podem ser traçados e seguidos enquanto se pedala em um mundo virtual. Além de que, em época de isolamento, socializar através da internet acaba sendo extremamente importante para manter o ânimo e a boa saúde mental.

Não demorou muito para que alternativas surgirem, com propostas diferentes, ou preços diferentes. Há uma quantidade considerável delas atualmente.

Alternativas

O detalhe do processamento gráfico necessário para utilizar o Zwift, junto com o fato de que mesmo rodando em um dispositivo poderoso, o gráfico ainda estará longe da realidade, fez com que algumas empresas reafirmassem no mercado uma alternativa que já existia há um tempo: simulações em vídeos, que avançam pela estrada conforme a velocidade do ciclista pedalando no rolo de treinamento.

Rouvy é uma destas alternativas. Este aplicativo usa mais de 2.000 horas de vídeo de alta qualidade combinados com ciclistas e bicicletas em 3D, para que você possa pedalar com seus amigos em uma experiência literalmente ‘fotorrealista’.

Rouvy, combinando imagens reais com modelos em 3D.

Na mesma linha temos o TrainerRoad, mais focado no treino singular do ciclista e também usando vídeos, e o Sufferfest que merece uma menção honrosa por ter sido um dos primeiros do gênero. FulGaz é outra aplicação, que usa vídeos de corridas e rotas em alta qualidade.

A principal alternativa do Zwift ainda é o BKOOL, que oferece tanto rotas em vídeo quanto em ambientes modelados em 3D. Também permite criar os próprios mapas em 3D a partir de arquivos de GPS, e é amplamente compatível com muitos rolos e sensores.

BKOOL também apresentar amplos mapas modelados em 3D.

E ainda há o Tacx, que também usa dados do GPS e do Strava para criar mapas em 3D, mas também fornece imagens de alta resolução. Opções não faltam.

Ainda assim, quando se trata de pedalar sem deixar de socializar, Zwift é revolucionário. BKOOL e Rouvy também permitem essas interações. Em tempos de isolamento social, isso é muito importante.

O que eu preciso ter para poder usar essas aplicações?

Primeiro, como você já deve imaginar, uma bicicleta. Um rolo de treinamento simples, e um ciclocomputador que possa enviar as informações de velocidade em tempo real via Bluetooth ou ANT+ e um dispositivo inteligente, como um smartphone, um tablet, computador ou Smart TV compatível também são necessários. E um ventilador também é muito bem-vindo.

© Tacx

Como Zwift, BKOOL e Tacx não deixam de ser jogos on-line com mundos modelados em 3D, texturas e luzes, vale lembrar que eles exigem um certo de poder de processamento. Você pode consultar mais detalhes sobre o que cada um requer em seus respectivos sites, mas para as aplicações que usam mundos em 3D, ao menos celulares de gama média são necessários.

O Zwift e seus similares podem ainda ser incrementados com rolos de treinamento inteligentes, que podem tornar o pedal mais pesado ou mais leve conforme a inclinação do terreno, ou sensores que meçam a potência e as rotações da pedalada, para fornecer mais informações ao software e melhorar a experiência de jogo. Para algumas corridas, alguns desses sensores são exigidos.

Quanto custa?

A maioria dos jogos on-line da atualidade são gratuitos, e o usuário paga se quiser evoluir mais rápido ou ter itens premium. Zwift e outros simuladores de ciclismo não são exatamente como os outros jogos; há pouco para vender quando se trata de itens, e a evolução fica a cargo do corpo do ciclista.

Portanto, o Zwift custa $14,99 – lá fora, impostos não incluídos. As alternativas tem preços similares, variando entre 10 e 20 dólares por mês. BKOOL tem preço similar, e apesar de ser cobrado em libras esterlinas, acaba ficando, em conversão direta, em torno de 13 dólares. Rouvy custa 10 dólares por mês.

A maioria das alternativas também tem um custo, já que há poucos itens que poderiam ser vendidos no jogo; portanto, você paga para usar.

Vale a pena?

No cenário atual, com o dólar nas estrelas e a crise gerada pela pandemia da CoViD-19, o preço para os brasileiros pode ficar um pouco salgado. Mas esse não é o único fator a considerar. Muitos brasileiros tem o problema de olhar apenas o preço, mas não o benefício.

Em situações nas quais simplesmente não se pode sair de casa – e que é comprovadamente um eficaz método contra uma epidemia – pode ser ainda mais importante manter uma rotina de exercícios e convívio social. Sem eles, ou a saúde física ou a saúde mental podem estar seriamente ameaçadas, e mesmo se livrando da CoViD-19, você ganha outros problemas.

Além disso, você pode ajudar outros amigos a manter o foco e o ânimo enquanto usa uma aplicação do gênero, e abre a possibilidade de fazer amigos de qualquer lugar do planeta terra.

Portanto, uma dessas aplicações pode ser vista como um investimento na sua saúde. Até porque depois de pagar, você vai se obrigar a usar.