Dificilmente vamos encontrar alguma criança que não goste de bicicleta, mas como iniciá-la nessa atividade ainda gera algumas dúvidas aos pais. Dentre as opções do mercado, as bicicletas de equilíbrio são especialmente projetadas para este propósito. E pude verificar na prática que elas realmente funcionam.

© Anderson Ricardo Schörner

Conheci as bicicletas de equilíbrio em uma feira e logo me lembrei do meu sobrinho, Samuel Lucas. Quando ele completou um ano e meio, dei uma dessas bikes de presente pra ele começar a interagir com o “mundo” dos ciclistas. Tivemos que esperar alguns meses até o pequeno conseguir alcançar os pés no chão.

Vez em quando, entre um telefonema e outro com a mãe dele, Fernanda, eu pedia: “e aí, o Lucas já está brincando com o presente?”. Até que um dia ela me ligou: “Você tem que ver, ele não larga a bicicleta”. Ele tinha dois anos e dois meses.

Dessa experiência foi possível comprovar, na prática, os benefícios da chamada “bike balance”, uma bicicleta sem pedais, sem rodinhas de apoio, sem freios e sem correntes. Acompanhe.

1. A ausência do pedal

Antes de ganhar a bicicleta, Lucas já tinha um daqueles triciclos com pedal, popularmente chamados de “motoquinhas”. Mas, como muitas crianças pequenas, tinha dificuldades em pedalar aquilo. O que ele fazia? Sentava e se empurrava com os pés no chão, exatamente como é a proposta da bicicleta de equilíbrio. Ele se sente muito mais confortável, à vontade, na bicicleta sem pedal. A criança, instintivamente, procura manter os pés em contato com o chão, porque isso lhe dá segurança. Na bicicleta de equilíbrio, os primeiros passos são dados como se estivesse caminhando e, dessa forma, rapidamente se conquista confiança que resulta, justamente, em equilíbrio.

2. O verdadeiro aprendizado

“A bike tá cheia de barro”, falou o Lucas no seu linguajar peculiar dos dois anos de idade. Ele já estava passando nas poças de lama – pra alegria da sua mãe – com os pezinhos erguidos. Tinha aprendido o fundamento principal da bicicleta: o equilíbrio. Na verdade, são necessários vários aprendizados ao começar a andar de bike, mas o equilíbrio é o principal, pois é o que gera maior insegurança. Esse é o grande mérito dessas bicicletas: com elas, a criança se concentra em aprender apenas o equilíbrio, e não tudo junto. Na “motoquinha”, ou em uma bicicleta com rodinhas auxiliares, por exemplo, ele aprenderia a pedalar, que é a parte mais fácil, mas não conseguiria se equilibrar sozinho em duas rodas. Outra vantagem da bike balance que condiciona ao aprendizado do equilíbrio é a estabilidade, devido ao baixo centro de gravidade.

3. Noção espacial e corporal

As primeiras voltinhas do Lucas foram dentro de casa, mas logo ele começou a se aventurar ao ar livre. Com muita naturalidade, ele aprendeu noções de controle e velocidade. Como a bicicleta não tem freios, todos os comandos de tração e frenagem são realizados com os pés, impulsionando ou criando atrito no chão. Os movimentos coordenados convertem-se em reflexo e concentração. Tudo isto resulta e é resultado do aprendizado de noção espacial e corporal, um ganho que vem pelo estabelecimento rápido de intimidade da criança com o brinquedo, necessária para desenvolver o movimento.

Mesmo com a diferença de idade, o pequeno pode interagir com os irmãos mais velhos e com outras crianças. © Anderson Ricardo Schörner

4. Machucados (quase) zero

Outra virtude desta bicicleta é ser projetada de tal forma que não resulta em machucados. Não há pontos em que a criança possa, por exemplo, prender os dedos. As rodas são fechadas no centro, não raiadas, por um motivo óbvio de proteção. Além disso, as peças são construídas com acabamento arredondado nas bordas, para não provocar cortes e machucados. Estas características devem ser analisadas no momento da compra. O ponto principal para evitar acidentes é o local onde a criança vai brincar. Encontre sempre lugares mais protegidos, sem muito movimento e sem grandes ondulações. Parques com gramados são indicados, pois em caso de queda, não machuca tanto. De qualquer forma, as quedas são menos frequentes com a bicicleta de equilíbrio, porque a criança está com os pés no chão. Os únicos arranhões que o Lucas herdou da bike foram de alguns tombos que ele levou em suas aventuras mais “ligeirinhas” por terrenos mais acidentados. Mas ele está bem feliz com eles…

Felicidade é sair pra brincar de bike com a irmã. © Anderson Ricardo Schörner

5. Energia e saúde

Um dos benefícios da bike é justamente o de oferecer uma oportunidade de a criança praticar uma atividade ao ar livre, interagindo com o meio. O outro lado dessa história é que a criança gasta energia com isso, e não enlouquecendo os queridos pais bagunçando a casa ou ficando o dia inteiro na frente da televisão… Certo, eles não viram santinhos, mas se distraem um bom tanto com a bicicleta!

6. O cuidado com o brinquedo

A primeira vez que vi o Lucas com a bicicleta, ele a colocou com as rodas para cima e começou a mexer no pneu. Quando pedi o que estava fazendo, ele respondeu: “Arrumando a bike”. Não sei de onde ele aprendeu isso, mas foi engraçado ver aflorar o seu lado “mecânico”.

Momento mecânico. © Anderson Ricardo Schörner

7. Interatividade

Com a bike de equilíbrio, o pequeno pode interagir com os irmãos andando de bike, não importando a diferença de idade entre eles. Em locais públicos, é interessante como as outras crianças ficam curiosas ao ver a bicicleta dele, e também se aproximam querendo interagir.

Sem medo das pedrinhas… © Anderson Ricardo Schörner

O Lucas ainda vai evoluir em muitos aspectos até aprender a andar em uma bicicleta comum, mas ele não poderia ter iniciado de maneira melhor do que com uma bicicleta de equilíbrio. É um brinquedo que ele gosta e que lhe dá todos os aprendizados listados acima, em especial, o equilíbrio, que é o grande objetivo, de uma maneira natural e prazerosa. De fato, a bicicleta de equilíbrio funciona mesmo!

Despertando o interesse pela bicicleta. © Anderson Ricardo Schörner