MULHERES ESTÃO PEDALANDO EM NÚMEROS RECORDES EM NOVA YORK

Desde que a Covid-19 tomou conta dos EUA, o ciclismo também tomou conta do país, aumentou as vendas de bicicletas e até causou a falta delas nas lojas.

Nova York, principalmente, tem visto esse crescimento ser impulsionado por um aumento no número de mulheres que começaram a pedalar quando o lockdown iniciou.

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Uma pesquisa mostra que em Nova York houve cerca de 80% de aumento no uso de bicicleta em julho em comparação com o mesmo mês em 2019, com o uso de bicicletas por mulheres aumentando 147% e em 68% entre os homens, de acordo com dados do Strava Metro, um aplicativo de rastreamento de mobilidade usado por 68 milhões de pessoas em todo o mundo.

No Citi Bike, o programa de compartilhamento de bicicletas de Nova York, as mulheres agora representam a maior parte dos usuários desde que o programa foi lançado em 2013. Desde março, a porcentagem de mulheres que usam ativamente o Citi Bike e compram assinaturas pela primeira vez subiu para cerca de 40% do total de assinantes, um recorde em cada categoria.

 Johannes EISELE / AFP
(Johannes Eisele / AFP)

Em junho, um recorde de 53% das pessoas que usaram uma bicicleta do Citi Bike pela primeira vez eram mulheres. E mais de 60% daqueles que se inscreveram para a oferta de compartilhamento de bicicletas de associações gratuitas para trabalhadores essenciais eram mulheres.

“Acho que isso é promissor. Espera-se que seja uma boa coisa para sair desta crise”, disse Sarah M. Kaufman, diretora-adjunta do Rudin Center for Transportation da Universidade New York.

Esses números mostram uma grande virada, já que sempre houve disparidade de gêneros no ciclismo nas cidades americanas. Especialistas em transporte público dizem que a lacuna reflete em parte a maneira como as normas tradicionais de gênero ainda influenciam a vida americana: espera-se que as mulheres cheguem ao trabalho vestidas com mais cuidado, o que pode ser um desafio depois de longos e suados trajetos. Seus deslocamentos também tendem a envolver mais paradas para realizar tarefas e transportar os filhos do que os dos homens, o que é menos fácil de ser feito de bicicleta.

Porém, parece que o maior obstáculo para as mulheres pedalarem por lá é o perigo nas ruas.  Para cada quilômetro percorrido, um ciclista tem seis vezes mais probabilidade de morrer nos Estados Unidos do que na Alemanha, na Holanda ou na Dinamarca, que investiram mais pesadamente em infraestrutura para bicicletas, de acordo com John Pucher, pesquisador de meios de transporte.

Duas pessoas pedalam no Central Park em Nova York.
(AFP/Arquivos)

Outras grandes cidades dos Estados Unidos, incluindo Washington, Boston, Chicago e Los Angeles, também experimentaram um renascimento do ciclismo impulsionado em grande parte pelas mulheres: o número de ciclistas em cada uma dessas quatro cidades aumentou mais de 80% em agosto em comparação com o mesmo mês no ano passado, enquanto o crescimento no número de ciclistas do sexo masculino foi muito menor.

“Não há como chegar a altas taxas de ciclistas se não resolvermos a diferença de gênero”, disse Jennifer Dill, professora de estudos urbanos e planejamento da Universidade do Estado de Portland. “A grande questão agora é como isso mudará o comportamento a longo prazo.” “Esta é uma grande oportunidade se as cidades aproveitarem”, acrescentou.

Texto de Christina Goldbaum – The New York Times / traduzido por Romina Acácia

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