Doping

O brasileiro Guilherme Müller, que foi suspenso pela UCI por doping, tornou público um prontuário médico que mostra que ele sofreu, por um ano e meio, com hemorroidas. O mountain biker alega que estava com anemia quando ocorreram alterações no seu passaporte biológico, causa da suspensão.

A UCI entendeu que, entre fevereiro e abril de 2022, Guilherme fez “transfusões de sangue como forma de doping genético, alterando as taxas sanguíneas e consequentemente seu rendimento esportivo”, conforme explicou a equipe Audax, pela qual foi campeão brasileiro de MTB maratona em agosto de 2022.

Guilherme Müller, ciclista brasileiro. Imagem: Reprodução/Instagram

Ele se defendeu: “Sigo com minha consciência tranquila, sei da minha índole e caráter. Não sei o que o futuro me reserva, mas sigo com muita Fé em Deus acreditando que tudo acontece com um propósito e que algo de bom está sendo preparado”, postou no Instagram.

Ali, Guilherme também compartilhou um link com exames, receitas médicas e outros documentos que mostram que em dezembro de 2020 foi descoberta uma hemorroida indolor. No fim de 2021, os sangramentos começaram a ficar frequentes, e ele foi diagnosticado com anemia.

De acordo com os documentos, em março de 2022, ele chegou a citar os sangramentos, as hemorroidas, e a anemia em um exame antidoping surpresa. Em três meses, foram três desses exames, que demonstraram variação no passaporte biológico dele. Guilherme defende que essas alterações ocorreram devido ao tratamento com remédio e à recuperação natural do corpo.

Entre os documentos, porém, não constam autorizações de uso terapêutico (TUE), que são autorizações especiais, dadas por órgãos de controle de doping, para que atletas doentes façam uso de medicamentos e tratamentos proibidos, como forma de cura.

Guilherme voltou a competir em abril, teve novamente sangramentos, e passou por cirurgia em junho do ano passado. Desde então, conseguiu resultados expressivos, como o título brasileiro de maratona, o décimo lugar no Campeonato Continental deste ano e o segundo na etapa de Goiânia da Taça Brasil. Aos 30 anos, ele é o sexto melhor brasileiro do ranking mundial, na 128ª posição.

Ainda que tenha reconhecido “o empenho, potencial e constante trajetória” de Müller, a Audax optou por dispensá-lo. “Como uma empresa séria e comprometida com o esporte fidelizado com a verdade, repudiamos veementemente qualquer atitude que fira o código de ética e a integridade do ciclismo”, justificou em nota.

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