Aumenta número de brasileiros que deixam do carro/moto pra economizar

A vida de quem precisa abastecer não anda fácil. Foram dezesseis meses de subidas consecutivas nos valores de combustíveis no país até agora, segundo um monitoramento da ValeCard.

Além disso, outros itens essenciais também ficaram mais caros, como a maioria dos alimentos. Com o orçamento mais justo, muitos vêm procurando formas alternativas de locomoção. E a bicicleta, claro, se torna de novo a protagonista.

Um levantamento feito em setembro deste ano pela WebMotors Autoinsights com 3.868 usuários de moto e carro aponta que 31% deles alteraram a forma de se locomover motivados pelo aumento dos combustíveis.

Para os motociclistas, a principal alternativa é a bicicleta, com 33% deles tendo migrado para este modal no último ano, enquanto 17% dos proprietários de carro fizeram essa alteração no transporte. A adesão à caminhada foi citada por 17% dos motoqueiros e 22% dos motoristas.

(Pexels/Tato Villanova)

Outra pesquisa divulgada em setembro, ‘Viver em São Paulo’, feita pela rede Nossa São Paulo em parceria com o Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) reforça a tendência. Com dados apenas da capital paulista, a pesquisa identificou que, em um ano, aqueles que apontam a alta do combustível como principal motivo para reduzirem o uso de veículo próprio passou de 4% em 2020 para 35% em 2021.

Já a mobilidade a pé, que em 2019 era usada por 6% dos paulistanos, em 2020 passou a ser a escolha de 15%. E, agora em 2021, passou para 20%, identificou a mais recente edição da pesquisa ‘Viver em São Paulo’. “Isso devido ao aumento dos custos”, afirmou Jorge Abrahão, coordenador geral da rede Nossa São Paulo.

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Bicicletas

O mercado de bicicletas tem sido um termômetro dessa mudança. Dados levantados pela Aliança Bike (Associação Brasileira do Setor de Bicicletas) a pedido do CNN Brasil Business, mostram que em 2020 o segmento registrou 50% de aumento nas vendas em comparação ao ano de 2019.

E o crescimento se manteve no primeiro semestre de 2021: o país registrou 34,17% de aumento nas vendas das bicicletas em comparação ao mesmo período do ano passado.

Há motivações variadas pelas quais as bicicletas passaram a ser mais usadas e compradas, mas, para o professor de finanças empresariais no Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercados e Capitais) de São Paulo, Paulo Azevedo, o principal está no preço do combustível, que tem afetado diretamente o poder aquisitivo dos consumidores.

“Isso [preço do combustível] eleva o custo de vida e tem sido colocado na balança nesses últimos meses, e aí surge essa mudança na forma de locomoção. É uma variação de fatores, que tem levado as pessoas a buscarem formas de fazer o salário durar o mês todo”, disse o professor.

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Na Tembici, empresa de bicicletas compartilhadas, a receita com usuários cresceu mais de 50% comparada ao período pré-pandemia. Segundo cálculos da empresa, a diferença de custo entre o uso da bicicleta e outros modais a combustível, pode ser até a 90% a menos, sendo o automóvel o mais custoso.

Ainda de acordo com estudo da Tembici, em 2021, 12 milhões de deslocamentos no país foram realizados com bicicletas. Já entre janeiro e agosto, o número de viagens feitas pelo aplicativo E-bike cresceu 66% em relação ao mesmo período de 2020. A empresa avalia que esse crescimento foi impulsionado, além da pandemia, pela alta dos combustíveis.

Para Marcus Quintella, professor e diretor da FGV Transportes (Fundação Getúlio Vargas), é natural que usuários de transportes automotores movidos a combustível migrem para a bicicleta ou busquem outros meios de locomoção em meio ao aumento da gasolina e do diesel.

“O uso da bike está em forte tendência no Brasil, seja por lazer, sustentabilidade, necessidade ou emergência. Mas vale ressaltar que como transporte principal ou em massa, há questões de infraestrutura e até de condições físicas dos usuários que impedem que isso aconteça”, diz Quintella.

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