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O cicloturismo e o abandono de animais

Ivan Mendes com um desses cães em Nova Petrópolis no Rio Grande do Sul

O crescimento do número de cicloturistas é capaz de revelar outras realidades menos glamourosas pelos caminhos cicláveis e mostra que existe uma infeliz relação entre o Cicloturismo e o abandono de animais.

A prática do Cicloturismo via de regra é satisfatória e prazerosa, poucos são os elementos capazes de fazer com que um praticante dessa modalidade venha a depor contra essa afirmação. Mas, infelizmente, uma outra atividade nada nobre tem sido observada e gerado indignação nos cicloturistas. Trata-se de uma das práticas mais repulsivas que um ser humano pode expor a outro ser vivo: o abandono. 

Um crescimento perceptível

Antes de tudo, é necessário dizer que com o crescimento da atividade cicloturística pelas estradas e caminhos cicláveis, há uma percepção de que o abandono de animais também cresceu, essencialmente em estradas com menor movimento de veículos automotores. Na verdade, essa prática sempre esteve presente, o que acontece é que justamente o aumento da passagem de ciclistas por esses caminhos deixou essa realidade mais exposta. Veja clicando aqui > Animais abandonados na região de Pinhais/PR

O que há no caminho?

Nesse sentido, desafortunadamente, a relação entre o Cicloturismo e o abandono de animais tem sido mais perceptível. Não porque quem pratica o abandono sejam os cicloturistas, mas porque são eles quem encontram esses animais pelo caminho. Infelizmente, não são todos que têm condições de resgatar um animal encontrado em um lugar remoto, seja pela impossibilidade momentânea da localização, pela falta de comunicação ou pelo simples fato de estarem sobre uma bicicleta, o que torna o transporte de qualquer tipo de carga mais difícil.

Protetoras dos animais com o Lobi em Pinhais/PR. Foto: Maycon Hoffmann

O ciclista não é o culpado 

Diante disso, nessa relação entre o Cicloturismo e o abandono de animais, às vezes o ciclista se obriga a fazer um papel que não é o dele. Sobretudo, a obrigação de prover algum tipo de ajuda aos animais abandonados não pode caber somente a um dos lados mais fracos de uma cadeia que já é injusta por si. O poder público tem a obrigação (e condições) de planejar e executar políticas públicas eficientes contra essa prática, seja com campanhas publicitárias ou com punições mais severas contra quem abandona. O fato é que o Brasil tem leis, mas a má vontade em punir exemplarmente é maior do que qualquer atitude. 

O poder é do poder público

Do mesmo modo, também deve ser papel do poder público, principalmente das prefeituras, desenvolver políticas para o resgate e cuidados adequados com os animais. O setor público tem o privilégio de poder contar com o auxílio de muitas ONG ‘s e pessoas da comunidade que se dedicam justamente a essa causa. Portanto, o argumento de que esse tipo de trabalho é impossível de ser feito simplesmente não pode ser aceito. 

Cão abandonado em Curitiba. Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

A omissão dos bons é o começo da maldade

Contudo, ressalta-se ainda o fato de que a omissão das pessoas também é um grande problema. Não se pode culpar somente o poder público, o exemplo tem que partir também da comunidade, que é onde o problema é observado primeiro. Se esta tomar atitudes corretas, o trabalho do poder público é facilitado exponencialmente. 

Caminhos cicloturísticos devem ser saudáveis 

Primordialmente, o cicloturista quando escolhe uma rota para pedalar opta pelos caminhos onde há uma beleza cênica e cultural única, onde haja uma infraestrutura mínima para a prática da modalidade ou mesmo onde as estradas tenham condições mínimas de trafegabilidade. No entanto, a “saúde” do caminho também passa a ser preocupação desse público quando há a presença de animais abandonados. Quando se fala em um caminho saudável, refere-se a um trecho bonito, sem lixo, sem desmatamento, sem degradação ambiental e, claro, sem animais perdidos.

Caminhos autoguiados desenvolvidos pelo Lobi. Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

O cicloturista fala com cicloturista

Outro fato importante a se ressaltar é que um caminho pode ter todas as qualidades possíveis, mas uma vez que não seja cuidado ou que passe a apresentar problemas, a estigmatização por parte do próprio turista certamente acontecerá. Por exemplo, o cicloturista geralmente não é da própria localidade onde pedala e, portanto, a probabilidade de replicar negativamente essa localidade a outras pessoas é muito maior caso se depare com os problemas citados. Sem dúvidas, corrigir a imagem de um caminho estigmatizado é muito complicado. 

Uma pandemia que gerou uma epidemia

Nos momentos de maior isolamento social durante a pandemia do Covid-19, houve crescimento na adoção de animais. No entanto, com a retomada da economia e do próprio aumento do convívio social, além do número de adoções ter caído, muitas delas estão sendo desfeitas pelos próprios adotantes. A Lei nº 14.064 de 29 de setembro de 2020 define que quem abandona um animal comete crime e pode pegar até cinco anos de prisão. Fonte

Cão abandonado na região de Piraquara/PR. Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), somente no Brasil, cerca de 30 milhões de animais estão abandonados, sendo aproximadamente 20 milhões de cães e 10 milhões de gatos. Em grandes metrópoles, para cada cinco habitantes há um cachorro, ao passo que, destes, 10% estão abandonados. Uma realidade triste e difícil de aceitar. 

O Lobi é parceiro da causa animal

Um dos principais objetivos do Lobi Ciclotur é o de promover o cicloturismo enquanto uma prática saudável e prazerosa na vida do maior número de pessoas possível, o que quando bem desenvolvido gera renda às comunidades. Contudo, é pouco aceitável a ideia de que o Cicloturismo e o abandono de animais sejam sentenças que façam parte da mesma expressão. Portanto, o Cicloturismo pode, e deve, ser uma atividade que gere satisfação em quem o pratica e isso definitivamente não combina com o fato de encontrarmos animais abandonados em nossos caminhos.

Ivan Mendes sendo cumprimentado por um cão em Nova Petrópolis/RS

Recentemente, o CEO do Lobi Ciclotur,  Ivan Mendes, participou da gravação de um programa para a RPC TV GLOBO, no qual fala justamente sobre a quantidade de animais que são encontrados nos caminhos cicláveis na Região Metropolitana de Curitiba. Também participaram da gravação representantes de entidades responsáveis pelo resgate e cuidados de animais. Uma das ideias que mais ficaram evidentes durante as entrevistas foi a de que algo precisa ser feito! A entrevista você confere no vídeo a seguir:

Exemplos para serem seguidos

No estado de Goiás, há um projeto que tramita na Assembleia Legislativa que propõe que se adicione, em contratos de concessão de rodovias estaduais, a obrigatoriedade da instalação de sinalização de advertência sobre a prática do crime de abandono de animais. De acordo com o projeto, a instalação desta sinalização deve ocorrer, simultaneamente, ao início das operações da concessionária com a cobrança de tarifa de pedágio. A iniciativa tem cunho educativo e busca conscientizar a população contra a prática ilegal e, apesar de não ser uma atitude definitiva contra o abandono, se trata de um começo. Fonte:

Um país inteiro sem animais abandonados

Por último, o melhor exemplo mundial no que se refere a quebrar o elo entre o Cicloturismo e o abandono de animais é a Holanda. O país europeu é um dos mais avançados no mundo em diversas frentes, entre elas o uso da bicicleta e o respeito animal. Por conta disso, os holandeses são um excelente espelho para a maioria dos políticos brasileiros deixarem de ser meros consumidores do dinheiro público e passarem a ser protagonistas em alguma causa. Fonte

Na Holanda os cães são tratados dignamente. Foto: Sergio Llaguno

Uma população que entende o valor dos animais

Então, seja fomentando o ciclismo, investindo nas energias renováveis ou fortalecendo suas políticas contra mudanças climáticas sem o sacrifício e sofrimento dos animais, o fato é que a Holanda conseguiu encontrar a solução para essa difícil equação. O país trabalhou para que sua população entendesse os maus tratos aos animais como um crime tão grave como o maltrato a uma pessoa. Lá, os animais de companhia têm direitos equiparados aos dos seres humanos e, em alguns casos, são considerados patrimônios. 

A lei dói no bolso

Como resultado, as leis holandesas são rígidas com quem abandona um animal. As multas por abandono podem chegar a 1 mil euros e as condenações podem chegar a até 3 anos, se causar danos ao animal. Isto garante que qualquer pessoa que pretenda abandonar ou maltratar um animal, seja de rua ou não, pense muito antes de cometer tamanha covardia. Além disso, o Governo assumiu o custo da castração e a organização de campanhas maciças para esterilizar os cachorros de rua e dos abrigos, permitindo ainda, que quem tenha um animal de estimação possa esterilizá-lo de forma gratuita. 

O cicloviajante e o seu companheiro cão. Foto: Sergio Llaguno

Taxação de impostos na compra de animais

Parte do problema na Holanda era que as pessoas não adotavam cães de rua porque não eram de raça. Ao invés de adotar, elas compravam. Por conta disso, altos impostos foram estabelecidos para as compras, visando o desencorajamento no negócio em torno da vida dos animais e incentivando aqueles que realmente desejam ter a companhia de um amigo de quatro patas para que o fizessem a partir da adoção de um animal de abrigo. E por aqui, o que nós como sociedade devemos fazer? E o poder público, até onde pode agir?

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Por Tiago Piontekievicz © Lobi Ciclotur