No caminho das águas

Quem gosta de conhecer novos lugares a bordo de sua bike, não pode deixar de visitar a cidade de Corupá, em Santa Catarina, perto da divisa com o Paraná, distante 130 km de Curitiba. A pequena cidade nasceu como Hansa Humbold, em homenagem ao famoso naturalista alemão, viajante incansável e pioneiro na descoberta de muitas belezas de nosso país. No final dos anos 40, porém, o clima hostil contra os alemães, provocado pela II Guerra Mundial, levou os moradores a trocar o nome da cidade para Corupá, que na linguagem indígena significa “lugar de muitas pedras”.

© Paulo de Tarso

A pequena e pacata cidade de Corupá, colonizada por alemães, suíços, italianos e poloneses, ainda guarda as marcas desta mistura de culturas, que se evidencia na comida, na língua e nas construções. Tem 15 mil habitantes e em sua economia destaca-se o cultivo de bananas.

Para os amantes do mountain bike, o lugar oferece uma infinidade de roteiros para todos os gostos e níveis, sempre percorrendo lugares de extrema beleza. O que mais chama a atenção de quem visita a cidade de Corupá são as inúmeras cachoeiras espalhadas pela região. 

Na Rota das Cachoeiras

Este é o caminho mais conhecido por qualquer pessoa de Corupá. Até o local das cachoeiras, são 14 km de estrada de terra muito boa e de um visual de encantar qualquer um. Vá curtindo a paisagem, mas sem deixar de lado a atenção com os carros. Aliás, esse foi o único ponto negativo da cidade. De todos os lugares até hoje percorridos pelo Sampa Bikers, Corupá é a cidade onde menos parece se respeitar os ciclistas. Um dos motoristas chegou a dizer: “Ainda passo por cima de um”. Então, muito cuidado.

Antes de pegar a estradinha de terra, conheça o Seminário da cidade, um local bastante arborizado e com uma arquitetura muito bonita. Seguindo pela estradinha de terra, pode-se observar o grande número de bananeiras e muitas casas de madeira construídas no estilo bem europeu. No km 6,69 tem um pé de carambola que certamente é parada obrigatória. Até chegar nas cachoeiras, a estrada é bem sinalizada, sempre indicando “Rota das Cachoeiras” e “Parque Ecológico Emílio F. Battistella”. Seguindo essas indicações, depois de algumas subidas, chegamos ao parque, onde você vai encontrar restaurantes, banheiros e churrasqueiras.

A partir daí, a bike fica de lado. É que para conhecer as 14 quedas de água é preciso caminhar quase três quilômetros e subir mais de 500 metros, dentro de uma reserva ainda bem preservada de Mata Atlântica. Mas não desista, o esforço é recompensador, pois a última queda, a Cachoeira do Salto Grande, é a maior e a mais bonita, com suas águas caindo a 125 metros de altura.

© Paulo de Tarso

Depois da dura caminhada talvez você não tenha mais pernas para completar o circuito proposto. Se você estiver cansado, nem pense em continuar: volte pelo mesmo caminho, pois é praticamente todo em descida; mas se optar em seguir a planilha, a pedalada vai ficar ainda melhor.

Descendo a estrada da cachoeira, vire à esquerda, são quatro quilômetros de subida até o asfalto. A estrada é linda, toda coberta pela vegetação de Mata Atlântica. Em alguns trechos podemos observar a linda paisagem no fundo e atravessar pedalando pequenos riachos que cortam a estrada. Chegando ao asfalto, recarregue as caramanholas na bica d’água e prepare-se para uma nova etapa do passeio. Com cuidado, atravesse a rodovia em direção à igreja, respire fundo e despenque morro abaixo. A estrada, de tão abandonada, parece um single track, então muito cuidado com os buracos, porque a todo instante você corre o risco de levar um chão.

Após cerca de cinco quilômetros de descidas de tirar o fôlego, a estrada melhora e continua alternando com subidas e descidas escorregadias. Depois de muito pedal e de uma boa caminhada, finalizamos o passeio no local de saída, em frente à praça da cidade.

© Paulo de Tarso

Roteiro do Braço Esquerdo

O segundo dia é mais light. A dica é conhecer o lado direito da cidade, popularmente conhecido como “braço direito”. O local de saída é o mesmo, em frente à praça. Saímos à direita, e no final da avenida entramos à esquerda, seguindo a rua até o fim. De lá, viramos à esquerda e seguimos sempre pela estrada principal. Nossa primeira parada, depois de seis quilômetros no plano, é na usina desativada. O local é outro paraíso, ideal para gostosos mergulhos. Depois de aproveitar bem, zere o odômetro e volte pelo mesmo caminho. Suba à direta, entre as bananeiras. Bem no final da subida vire tudo à esquerda e desça a estrada. No final da descida, entre à direita e siga a estrada até o fim. Você chegará no Bar Cachoeira, que é o ponto de acesso para outras lindas cachoeiras e para muitas grutas. Até chegar na cachoeira mais bonita, são 1500 metros de subida forte, por uma estrada de terra bem ruim, difícil de subir pedalando devido às erosões e inúmeras pedras existentes. É um trecho que exige muita técnica e preparo físico. Na volta, a descida é animal! No final da subida, a estrada se divide em duas trilhas. Se subir de bike, guarde-a e vá a pé pela trilha da esquerda: seguindo o barulho das águas, você chegará em mais uma linda cachoeira de Corupá.

© Paulo de Tarso

Informações úteis

Como chegar: O caminho mais comum para quem vem de Florianópolis ou Curitiba é pela BR-101. No trevo com a BR-280 siga em direção a Jaraguá do Sul. De Jaraguá do Sul até Corupá são 18 km. Outro caminho é pela BR-116. Para quem vem de Curitiba são 50 km rumo ao sul, entre à esquerda na estrada do Mato Preto, sentido São Bento do Sul.

O que levar: Repelente é item obrigatório na sua bagagem. Se você pretende caminhar e pedalar no mesmo dia, leve um bom tênis para as caminhadas, pois fazer este percurso com as sapatilhas é perigoso, escorrega muito.

Onde ficar: Tureck Garten Hotel. Tel: (47) 3375-1482.

O Sampa Bikers realiza esta viagem no mês de outubro. Informações: www.sampabikers.com.br.